Mensagem sobre a Oração – 15

“A Oração de Uma Pessoa Traída Por Amigos”

INTRODUÇÃO

Ser atacado por inimigos dói, mas é compreensível. De inimigos pode se esperar isto mesmo. Ser atacado por amigos dói muito mais. Davi se queixa disto. Quem é? Talvez Aïtofel, seu confidente, conselheiro, que se passou para o lado de Absalão e se tornou conselheiro militar deste último.

Quem já foi traído por pessoas em quem confiou ou por quem fez alguma coisa sabe o que é isto. Além do problema em si, vem decepção. Como agir?

1. A QUEIXA DO HOMEM TRAÍDO

“Meu amigo íntimo” (v. 13). Não era um amigo fortuito, ocasional, mas amigo pessoal. BJ: “meu confidente”. “Conversávamos juntos tranqüilos”. “Tranqüilos” é sod, que dá a idéia de “intimidade”.

“Em companhia andávamos na casa de Deus”. A idéia é que desfrutavam das mesmas emoções no templo. Ou seja, oravam juntos, cantavam juntos, apoiavam-se mutuamente. A pessoa o enganou por completo: vv. 20-21. Se passarmos por isto, lembremos que nosso Salvador foi traído por um íntimo, por alguém dos doze. Ele sabe o que é decepcionar-se com pessoas. Pensamos que nosso sofrimento é o maior do mundo. O do Salvador, por certo, não foi menor. Por isto, ele pode nos compreender: Hebreus 4.15.

2. A SITUAÇÃO DO HOMEM TRAÍDO

Weiser intitulou o salmo de “Oprimido por inimigos, traído por amigos”. O salmista está agitado eperplexo (vv. 2-3). O momento é tal que pode causar sua morte (v. 4). Está apavorado com isto (v. 5). Pensamos que os grandes vultos da Bíblia eram super-heróis? Eles tiveram medo! Gostaria de fugir (vv. 5-7). Uma das coisas que mais gostaríamos de fazer, nas crises, é fugir delas. Mastemos que enfrentá-las. Primeira atitude: zanga (vv. 9 e 15). Zangar-se não é pecado. Efésios 4.26. Pecado é guardar o ressentimento. Mas isto ajuda pouco.

3. A ORAÇÃO DO HOMEM TRAÍDO

Oração incessante (v. 17). BJ: “Eu, porém, invoco a Deus, e Iahweh me salva; de tarde, pela manhã, e ao meio-dia, eu me queixo, gemendo”. Queixava e gemia. Os três períodos mencionados (tarde, manhã e meio-dia) eram os períodos da prece convencional do hebreu. Ou seja, ele não deixou de cumprir seus compromissos religiosos. Confiança que Deus ouvirá (v. 19). Ele mesmo se desafia a confiar em Deus (v. 22). Confia no julgamento divino (v. 23). Esta é uma questão séria. Podemos pedir que Deus julgue? Não estaríamos errados? A palavra final: 23-b. Confiar nos homens é frustrante, mas em Deus se ponde confiar.

CONCLUSÃO

A estrutura do salmo é curiosa. Começa com lamento, manifesta confiança, volta ao lamento, confia, lamenta. Até os vv. 22-23. Abandona-se definitivamente a Deus. As pessoas podem decepcionar. Quanto a Deus: 2Timóteo 2.13. Por isto o salmista podia dizer o que disse no v. 22: “lança o teu fardo sobre o Senhor, e ele te susterá; nunca permitirá que o justo seja abalado”. Não é o conselho de quem está de fora, observando a cena. É a palavra de quem estava vivendo a frustração. Se nos identificamos com Davi na decepção com alguém, identifiquemo-nos também na comunhão com Deus.

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