É pegar ou largar!

Introdução:

Li um dia desses acerca da estória do menino que acordou de madrugada, por volta das 3:00 da manhã, por causa de um pesadelo. Segundo o relato, após ele despertar, gritou: “Pai”, “pai”! Seu pai respondeu groguemente, “O que é isto?” “Eu tive um sonho!” Respondeu o menino, “e eu estou com medo!” O pai replicou: “Volte a dormir, filho. Foi apenas um sonho.” “Mas eu quero que você venha ficar comigo”, disse o menino. O pai resmungou: “Volte a dormir, filho. Deus está contigo.” Depois de um breve silêncio, o menino disse: “Mas eu quero alguém de carne e osso!” A proposta do pai parece ter assombrado ainda mais o menino.

Nas caladas da noite nossa fé é surpreendida por sonhos e pesadelos. São nesses momentos que queremos, como o menino, nos agarrar a “alguém de carne e osso” pois a fé não nos é suficiente para convencer-nos a conviver com “alguém sem carne e osso”. Quase que, nesse instante, perdemos o sentido e a noção de que Aquele que prometeu estar conosco é fiel e verdadeiro. E aí, perguntamos: temos ou não fé? Pegamos ou largamos “alguém de carne e osso ou Alguém sem carne e osso”? De repente ribomba dentro de nós uma voz: “É pegar ou largar!”

São momentos lúgubres assim que descobrimos como a fé, que dizemos ter, deveria agir e, na maioria das vezes, deixa-nos atônitos. As adversidades são necessárias para forçar-nos a fazer uma escolha: é pegar ou largar! Decisões que irrompem a inércia espiritual nos capacita a pegarmos o que, por um vacilo, largamos.

Lemos, na Bíblia, no livro de Juízes, 6-8, a respeito de um jovem cujo nome era Gideão. Essa passagem do jovem juiz de Israel assemelha-se à do menino. Os midianitas, nessa época, oprimiam o povo de Israel. Ao iniciar sua jornada de fé, o Anjo do Senhor veio a Gideão enquanto este, estrategicamente, malhava o trigo no lagar. Suas elucubrações metafísicas o levavam a indagar por que tudo aquilo estava acontecendo. Havia dentro de si uma necessidade imperiosa de auto-encorajamento. Então o Anjo do Senhor lhe apareceu e disse: “O Senhor é contigo, varão valoroso!” Nessa teofânia, o Cristo preexistente o chama e o encoraja, a despeito de sua fraqueza, e lhe diz que por sua mão a nação de Israel seria liberta da opressão dos Midianitas. E assim Gideão começou sua jornada.

Mais tarde, quando os Midianitas vieram a Israel para o saque anual, Gideão buscou sinais e evidências que lhe assegurassem que “alguém sem carne e osso” estava, de fato, com ele. Sua fé começou a vacilar. Ele desejou que “alguém de carne e osso” estivesse ao seu lado. Por mais claras que fossem as manifestações de Deus, pareciam insuficientes para banir aquele sentimento de medo e insegurança que o dominava. Os meandros de sua história revelam que em todo o tempo ele teve ao seu lado um pajem com quem compartilhava seus temores.

Passo a passo sua fé agiganteou-se e como o Anjo do Senhor lhe falara, acon-teceu. Gideão logrou estrondosa vitória. Sua convivência com “alguém sem carne e osso”, transformou o sonho dos inimigos em vitória palpável. Era pegar ou largar!

A realidade não é diferente em nosso cotidiano. Se largar o bicho pega, se pegar o bicho larga!

A biografia de Gideão é um verdadeiro legado para todos quantos estão dispostos a aceitar a companhia de “alguém sem carne e osso”. O profeta Isaías admoestou seus contemporâneos com as seguintes palavras: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.” Agora é sua vez: é pegar ou largar!

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